Produção de milho deve cair mesmo com mais área
O recuo está concentrado na segunda safra
O recuo está concentrado na segunda safra - Foto: Divulgação
A nova temporada de milho no Brasil aponta para leve expansão de área, mas com expectativa de recuo na produção total, refletindo ajustes entre as safras e influência das condições climáticas ao longo do ciclo. Dados do Rally da Safra indicam mudanças relevantes na distribuição entre primeira e segunda safra, além de impactos do calendário de plantio sobre o potencial produtivo.
A área total estimada para 2025/26 é de 22,9 milhões de hectares, alta de 2,7% frente ao ciclo anterior. O avanço é puxado pela segunda safra, que cresce 2,5% e alcança 18,5 milhões de hectares, enquanto a primeira safra registra aumento de 3,6%, somando 4,4 milhões de hectares. Apesar da expansão da área, a produção total é projetada em 141,6 milhões de toneladas, queda de 6,2% em relação à temporada passada.
O recuo está concentrado na segunda safra, cuja produção é estimada em 114,5 milhões de toneladas, retração de 7,6%. Já a primeira safra apresenta leve alta de 0,3%, chegando a 27,1 milhões de toneladas. O ritmo de plantio da safrinha segue próximo ao padrão recente, com leve atraso em relação à média de cinco anos em algumas etapas, mas mantendo convergência ao longo de março.
O levantamento também destaca a dependência crescente das lavouras por chuvas em períodos mais tardios. Em estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná, aumenta a parcela de áreas que necessitam de precipitações em maio para sustentar o potencial produtivo, especialmente nas lavouras plantadas fora da janela ideal.
As simulações indicam que o atraso no plantio eleva o risco climático. Em Goiás e Mato Grosso, áreas semeadas em março tendem a apresentar maior sensibilidade a cortes de chuva a partir da segunda quinzena de abril, com possíveis perdas de produtividade. Por outro lado, a manutenção das chuvas até abril e maio pode sustentar bom desempenho mesmo nas áreas mais tardias.